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A ilusão Chinesa...
 
 

 

China - poluição e crise de energia podem conter o gigante e ameaçar o mundo

De: Galo Branco

 

A China ocupa o centro das atenções no noticiário econômico. Mas, ao contrário do que todos dizem, o cenário não é muito promissor para os chineses. A União Européia tem um PIB quase 6,5 vezes maior. Dá para imaginar que a China vá alcançar a Europa? Não acredito. A economia chinesa vai passar por uma redução nas taxas de crescimento nos próximos anos. E um de seus maiores desafios é claramente a questão ambiental. O ritmo veloz da última década resultou num aumento dramático da demanda por energia. Ao mesmo tempo, o país não conseguiu desenvolver fontes suficientes para supri-la.

Se você pensar nas pessoas deixando as áreas rurais e chegando às cidades sem emprego, na necessidade cada vez maior de automação e produtividade, alguém vai dar bola para de onde vem a energia? Alguém vai pensar se a produção está poluindo o ambiente? Dificilmente. Os chineses estão desesperados por qualquer energia. Há interesse em carvão, petróleo e combustíveis fósseis. Tamanha demanda -- afinal, são 1,2 bilhão de pessoas -- só faz piorar a poluição e o aquecimento global. Embora a China tenha aderido ao Protocolo de Kyoto e reduzido a emissão de gases nos últimos anos, o crescimento funciona como uma espécie de vício. (E, de acordo com as últimas estimativas, o país ainda é o segundo maior emissor de gás carbônico do mundo.) Para obter energia no curto prazo, os chineses farão o que for necessário e não prestarão tanta atenção nos problemas ambientais resultantes quanto deveriam. Isso já aconteceu nos Estados Unidos, na Europa, em todo o mundo. Só que agora estamos lidando com um quinto da população global.

Quem está cercado de arranha-céus e prédios cintilantes de empresas de alta tecnologia em Xangai pode pensar que todo o país está ficando rico. Mas não está. Pobreza e desemprego são problemas graves. Muita gente reclama que a China rouba os empregos americanos na indústria, mas os chineses também eliminaram 15% dos empregos nas fábricas nos últimos sete anos -- ante 11% em todo o mundo. Ao mesmo tempo, a parcela da população cujo padrão de vida aumentou começa a comprar carros e a poluir ainda mais as áreas urbanas. Algumas das cidades mais poluídas do mundo ficam na China. As regiões agrícolas estão entrando em colapso. Propriedades rurais são compradas por especuladores e há hordas de camponeses pobres obrigadas a sair do campo, atrás de emprego na cidade. Foi exatamente o que aconteceu na Europa 200 anos atrás, na época da Revolução Industrial.

Estamos nos estágios finais da era dos combustíveis fósseis -- carvão, petróleo e gás natural. O resultado de 200 anos de Revolução Industrial foi o aquecimento global, que não só ameaça a existência da humanidade, mas a põe em risco nos próximos 50 anos. Essa é, de longe, a questão mais importante que já enfrentamos como espécie em toda a nossa história. E estamos todos dormindo. Não apenas a China, mas o mundo todo tem de fazer uma transição rápida e dramática dos combustíveis fósseis para energia renovável armazenada na forma de hidrogênio. Se não nos movermos rapidamente em direção a uma economia do hidrogênio, construindo a infra-estrutura de transmissão e transporte nos próximos 25 anos, podemos não ter tempo suficiente para fazer a transição ao próximo estágio da história. Podemos ver o colapso de toda a economia global e de todos os ecossistemas dos quais dependemos.

O mundo é um lugar pequeno. Os europeus perceberam que a Terra funciona como um organismo complexo em que toda química e toda biologia têm de ser compatíveis e sustentáveis. Toda vida existe na biosfera numa relação muito próxima. Ninguém é uma ilha. Não dá para ser independente do que ocorre no resto da biosfera, senão todos perdem. Por causa da velha tradição comunitária, os europeus entendem que todos dependem uns dos outros. A China também tem uma tradição comunitária antiga, mas o regime é centralizado nos moldes comunistas. A situação é contraditória, mas essa tradição deveria sensibilizar o país para as questões ambientais. O ambiente saudável é algo que não se pode fazer sozinho. É um exercício de comunidade, de qualidade de vida. Todos têm de se engajar para chegar ao desenvolvimento sustentável. A China pode e precisa fazê-lo.

 

 
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